{"id":3814,"date":"2019-02-25T16:08:58","date_gmt":"2019-02-25T19:08:58","guid":{"rendered":"https:\/\/news.truckpad.com.br\/?p=3814"},"modified":"2019-02-25T16:08:58","modified_gmt":"2019-02-25T19:08:58","slug":"fernao-dias-faz-60-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.truckpad.com.br\/?p=3814","title":{"rendered":"Fern\u00e3o Dias faz 60 anos"},"content":{"rendered":"<p>Dia 25 de janeiro, a Fern\u00e3o Dias (originalmente BR-55, depois BR-381) completou 60 anos. Acompanhei o antes, o durante e o atual desta que, como j\u00e1 se sabia, tornou-se a principal via troncal de carga e passageiros entre Minas e S\u00e3o Paulo, estendendo-se ao Esp\u00edrito Santo e a todo o Nordeste. Equiparou-se em import\u00e2ncia \u00e0 Estrada Real nos tempos da col\u00f4nia e substituiu a Estrada de Ferro Central do Brasil na primeira metade dos anos 1900.<\/p>\n<div id=\"attachment_36822\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36822 size-full no-display appear\" src=\"https:\/\/cargapesada.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/vale-esta-revista-carga-pesada-fern%C3%A3o-dia-1.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" srcset=\"https:\/\/cargapesada.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/vale-esta-revista-carga-pesada-fern\u00e3o-dia-1.jpg 720w, https:\/\/cargapesada.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/vale-esta-revista-carga-pesada-fern\u00e3o-dia-1-300x142.jpg 300w, https:\/\/cargapesada.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/vale-esta-revista-carga-pesada-fern\u00e3o-dia-1-300x142@2x.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"340\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A foto da inaugura\u00e7\u00e3o no trevo de Betim (MG) mostra o in\u00edcio das mudan\u00e7as ocorridas no pa\u00eds. A frota era de carros importados, j\u00e1 aparecendo a Mercedes bicudinha L-312 no canto esquerdo superior (Posto Veiga)<\/p>\n<\/div>\n<p>Em 1959, Juscelino Kubitschek inaugurou a sua pista \u00fanica asfaltada, na realidade a obra n\u00e3o estava conclu\u00edda. A oposi\u00e7\u00e3o ao PSD, partido do presidente JK n\u00e3o deixou passar batida a oportunidade de criticar. Os ataques vinham da UDN, liderados por Roberto Marinho, sucessor de Irineu e dono do jornal carioca O Globo.Naquela manh\u00e3, JK e comitiva foram para o trevo de Betim (antigo km 10) e descerraram a placa de bronze aos p\u00e9s do obelisco, ainda existente. Nele vinha estampado o bras\u00e3o do bandeirante Fern\u00e3o Dias.<\/p>\n<p><strong>FAMA \u2212\u00a0<\/strong>A Fern\u00e3o Dias logo pegou fama de via de tr\u00e2nsito perigoso. O seu tr\u00e1fego era escasso e ainda assim n\u00e3o faltou quem morresse e se ferisse em suas centenas de curvas dos anos 1950, ainda hoje presentes. Caso do advogado, professor e pol\u00edtico Jo\u00e3o Pimenta da Veiga, em meados de 1960. Ele era pai de outro Jo\u00e3o, que foi prefeito de BH, deputado federal constituinte e candidato derrotado para governador em 2013. O primeiro morreu em Itaguara (MG), a 90 quil\u00f4metros da capital.<\/p>\n<p>Projetada conforme conceitos de engenharia rodovi\u00e1ria da \u00e9poca, s\u00f3 contou com recursos e equipamentos dispon\u00edveis. Seu tra\u00e7ado definitivamente n\u00e3o ficara bem resolvido diante do relevo desfavor\u00e1vel ao longo dos seus 562 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. O brasileiro mais distante do litoral come\u00e7ava a se familiarizar com essa m\u00e1quina chamada autom\u00f3vel, rolando sobre pistas asfaltadas e o n\u00famero de fatalidades assustava. Tanto que o caminhoneiro Jos\u00e9 Roberto Silva, de Itapeva (MG), \u00e0s margens da via, acreditava que \u201cdevido \u00e0 energia vinda do mundo dos mortos, ao longo do trajeto, fazia qualquer viagem ficar \u2018carregada\u2019 [do ponto de vista da espiritualidade], requerendo ora\u00e7\u00f5es e outras defesas\u201d. \u00c9 a cren\u00e7a dele. Silva esteve agregado na Empresa de Transportes Minas-Goi\u00e1s (descontinuada), de BH.<\/p>\n<p><strong>LERO-LERO \u2212<\/strong>\u00a0Enquanto isso o DNER, cada vez mais sem verbas, deixava a \u2018ab\u00f3bora alastrar\u2019. No final dos anos 1980, v\u00e1rios quil\u00f4metros da sua pista \u00fanica ainda n\u00e3o dispunham de acostamentos decentes nas cercanias de Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es (MG), por exemplo.<\/p>\n<p>Em 1959, o mesmo DNER afirmava que a Fern\u00e3o Dias estava sendo liberada aos passantes como de Classe I, mediante especifica\u00e7\u00f5es: curvas de raio m\u00ednimo de 100 metros, rampas m\u00e1ximas de 6% e dist\u00e2ncia m\u00ednima de visibilidade de 130 m. Muito lero-lero. O tra\u00e7ado de v\u00e1rias curvas, medido por r\u00e9gua e compasso, n\u00e3o conferia. Em rampas, pior ainda. V\u00e1rias passavam de 10%.<\/p>\n<p>A\u00ed veio o sonho da duplica\u00e7\u00e3o. Ainda no governo de Fernando Collor (anos 1990), iniciou-se com o projeto a cargo do DER-MG. Sua constru\u00e7\u00e3o contou com recursos da Uni\u00e3o, no montante de R$ 1,023 bilh\u00e3o, do qual R$ 144 mi de contrapartida do governo de Minas. Ap\u00f3s a concorr\u00eancia, obras em andamento, apareceu o Plano Real e tudo parou por um temp\u00e3o. Houve nova concorr\u00eancia e a segunda pista levou 15 anos para ficar com cara de coisa semipronta.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, o VMD (volume m\u00e9dio di\u00e1rio) impunha \u00e0 via simples, n\u00e3o apenas altos riscos devido \u00e0 satura\u00e7\u00e3o, como lentid\u00e3o e tortura. Mas vinha a duplica\u00e7\u00e3o para o bem de todos. Tal foi captado pelos governantes sem recursos, o que resultou numa segunda pista, c\u00f3pia mal ajeitada da primeira, mantendo-se os aleij\u00f5es originais. Resumindo, ficou bem aqu\u00e9m do que se entende por autoestrada, como as de S\u00e3o Paulo. Opini\u00e3o refor\u00e7ada por um engenheiro do DER-MG, atuando na obra: \u201cUma reles segunda pista pelo trecho serrano [por exemplo]de Igarap\u00e9 e Itaguara, resultar\u00e1 numa rodovia duplicada sim, mas obsoleta\u201d, conforme registrado na\u00a0<em>Revista Veiculo<\/em>\u00a0\u00a0de mar\u00e7o de 2006.<\/p>\n<p><strong>FLUIDEZ \u2212<\/strong>\u00a0Embora tenha aumentado sua capacidade, a via enfrentou acelerado aumento de tr\u00e1fego, frequentemente interrompido em pontos e segmentos cr\u00edticos. Hoje a opera\u00e7\u00e3o dessa \u201cestrada sinuosa\u201d\u00a0 virou desafio. De acordo com a Arteris, sua concession\u00e1ria desde 2012, a Fern\u00e3o Dias \u201ccompleta seu sexag\u00e9simo anivers\u00e1rio em janeiro, comemorando a redu\u00e7\u00e3o de 54%\u00a0 no total de v\u00edtimas fatais em acidentes no trecho entre Contagem e Guarulhos (SP)\u201d. O \u00edndice passou de 216 em 2010 para atuais 99. \u201c\u00c9 o menor n\u00famero de fatalidades registrado durante os anos de concess\u00e3o\u201d, acrescenta a Arteris. O total de acidentes tamb\u00e9m teve queda de 18% durante o per\u00edodo e passou de 9.126 epis\u00f3dios para 7.412, numa redu\u00e7\u00e3o de 1,7 mil sinistros.<\/p>\n<p>Outros n\u00fameros da Fern\u00e3o Dias s\u00e3o igualmente expressivos. Ela recebe cerca de 200 mil ve\u00edculos por dia, sendo 60% de tr\u00e1fego pesado, ou seja, caminh\u00f5es de todo tipo. Isto d\u00e1 120 mil cargueiros entupindo as pistas e seus oito postos de ped\u00e1gio, \u00e0 tarifa de R$ 2,40 por eixo. Apesar do resultado num\u00e9rico alcan\u00e7ado, a seguran\u00e7a e fluidez fernandianas precisam melhorar. H\u00e1 um ano, levantamento da concession\u00e1ria apurou que a estrada ficou \u2018parada\u2019 durante tr\u00eas meses, se somados os tempos de interrup\u00e7\u00e3o causados pelas ocorr\u00eancias ao longo do ano. A Arteris fez a estat\u00edstica no trecho de 300 quil\u00f4metros entre Santo Ant\u00f4nio do Amparo a Extrema, ambas em MG. Em muitos casos, as duas pistas ficaram trancadas por horas. Foram 64 \u2018deitadas\u2019 de carretas e\/ou bitr\u00e9ns. D\u00e3o mais de duas ocorr\u00eancias a cada tr\u00eas dias.<\/p>\n<p><strong>ESCAPE \u2212<\/strong>\u00a0Visando liberar r\u00e1pido o tr\u00e1fego em tais situa\u00e7\u00f5es, a concession\u00e1ria criou 11 novos desvios operacionais ao longo da malha administrada \u201cpara complementar as a\u00e7\u00f5es do plano de conting\u00eancia j\u00e1 estabelecido\u201d, diz a nota da Arteris.\u00a0 Melhor explicando, em pontos estrat\u00e9gicos, cerca de 30 m de defensas met\u00e1licas ou muretas separadoras fixas foram retiradas. No seu lugar vieram m\u00f3dulos de concreto pr\u00e9-moldado remov\u00edveis por guincho e o canteiro central asfaltado. Na emerg\u00eancia de utilizar a pista contr\u00e1ria ao acidente e abrir uma \u2018meia m\u00e3o\u2019 no contra fluxo, os \u2018tapumes\u2019 s\u00e3o retirados e o congestionamento mitigado.<\/p>\n<p>S\u00e3o medidas de baixo custo e encorajadoras. J\u00e1 profissionais de fiscaliza\u00e7\u00e3o foram diretos. Em recente e privilegiado encontro com tr\u00eas agentes da PRF, registrei opini\u00f5es mais taxativas. Eles atuam na rodovia e s\u00e3o un\u00e2nimes na prescri\u00e7\u00e3o do \u201c\u00fanico rem\u00e9dio para os males da estrada e para os quais n\u00e3o adiantam paliativos\u201d. No entender deles, \u00e9 preciso corrigir os numerosos pontos e segmentos cr\u00edticos. Citam, por exemplo, a curva do viaduto dos Qu\u00e9ias, no km 525 da serra de Igarap\u00e9. Farta sinaliza\u00e7\u00e3o, radar, reza braba e as ocorr\u00eancias n\u00e3o caem para o zero acidentes. Diminu\u00edram, mas semana sim, semana n\u00e3o, tem um tombado na virada. E assim, v\u00e1rios outros km entre Contagem e Guarulhos requerem \u2018cirurgia de grande porte\u2019.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe se tal pensamento contaminou Bras\u00edlia. O certo \u00e9 que a Folha de S. Paulo publicou em 12 de fevereiro que o minist\u00e9rio da Infraestrutura estuda aumentar as tarifas do ped\u00e1gio para sete rodovias do Sudeste e Sul.\u00a0 A majora\u00e7\u00e3o ficaria \u201cna m\u00e9dia de 25%\u201d. J\u00e1 \u00e0 Fern\u00e3o Dias \u201ccaberia o reajuste de 58%\u201d. Os atuais R$ 2,40 por eixo saltariam para 3,80, com o qu\u00ea \u201ca concession\u00e1ria faria frente a R$ 1,2 bilh\u00e3o em investimentos\u201d, adiantou o titular da pasta, Tarc\u00edsio de Freitas.<\/p>\n<p>Seria para as tais \u2018interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas\u2019? N\u00e3o se sabe ainda. O ministro afirmou \u00e0 Folha que \u201cnessas estradas h\u00e1 ped\u00e1gios muito baixos. A quest\u00e3o \u00e9 saber se a popula\u00e7\u00e3o aceitaria pagar um pouco mais para ter uma terceira faixa, por exemplo. Para saber, vamos fazer consulta p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Antes de se imaginar que a equa\u00e7\u00e3o esteja montada, atento motorista da Sitcar, de Po\u00e7os de Caldas (MG), acrescenta que outros quesitos t\u00eam de ser pensados \u2018pra ontem\u2019 na Fern\u00e3o Dias: 1) ainda h\u00e1 absurdos trechos fernandianos sem sinal de celular; 2) n\u00e3o adianta adiar, a estrada precisa de pontos de parada e descanso (PPD) seguros e sem custo para os caminhoneiros; e 3) o socorro da concession\u00e1ria est\u00e1 demorado, possivelmente pela grande demanda.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/cargapesada.com.br\/2019\/02\/22\/fernao-dias-faz-60-anos\/\">Revista Carga Pesada<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 25 de janeiro, a Fern\u00e3o Dias (originalmente BR-55, depois BR-381) completou 60 anos. 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